Mitos comuns sobre estudar no estrangeiro

24 Novembro 2022 | 80

O processo de seleção de uma universidade é um passo decisivo para qualquer jovem que pretende estudar no estrangeiro. Muitas vezes o desconhecimento e a falta de informação impedem centenas de jovens de tomar a decisão de estudar noutro país. Ao longo deste artigo iremos abordar os diferentes mitos que estão frequentemente associados ao estudo no estrangeiro e descobrir de forma factual quais são verdade ou não, para que possas tomar uma decisão o mais informada possível.


Mito 1: “Estudar no estrangeiro não é para mim, não tenho requisitos para tal”

Este é um dos principais mitos relacionados com este tema. Muitas vezes os estudantes nem consideram a opção de estudar no estrangeiro, porque simplesmente pensam que não lhes é possível, seja porque consideram que não têm média para se candidatarem ou porque não têm os requisitos e/ou habilitações necessárias. As assumpções fazem-nos perder boas oportunidades. Não deixes de tentar e submete a tua candidatura, porque existe sempre uma opção adequada para cada pessoa.


Mito 2: “Não sou fluente na língua nativa”
Estudar no estrangeiro é colocares-te em ambientes diferentes e experimentar coisas novas. Nunca o facto de não falares a língua nativa deverá ser um impedimento à decisão de estudar fora, pois esse factor impedira-te-á de tomar uma decisão que poderá mudar a tua vida. Irás surpreender-te com a rapidez com que aprendes a comunicar assim que lá chegares. Também não te preocupes com as aulas, pois em muitas destas situações o Inglês tornou-se a língua em que os cursos são lecionados. No entanto, antes de te candidatares, verifica os requisitos do curso para teres certeza de que não há limitações ao nível do idioma em que são lecionadas.


Mito 3: “Ir para outro país vai fazer-me sentir inseguro(a)”
Para garantir a segurança dos estudantes, todos os programas de estudo no estrangeiro disponíveis foram devidamente investigados atestando a sua credibilidade e qualidade, por isso podes ficar tranquilo, pois se um curso ou instituição representasse uma ameaça substancial à segurança dos seus alunos o próprio sistema de segurança governamental do país os proibiria. É importante quando estamos a selecionar a instituição académica que queremos, especialmente numa era em que tudo é feito à distância e online, que verifiques a credibilidade da mesma ou que trates do processo através de um agente educativo certificado do teu país. É um facto que há países com históricos de insegurança mais significativos que outros, mas ao escolheres o teu destino também poderás levar isso em consideração para ficares mais tranquilo. Fora isso, o estudar noutro país, traz os mesmos perigos inerentes ao nosso dia-a-dia e por isso, usa o bom senso e confia nos teus instintos.


Mito 4: “É caro”

Um dos mitos mais populares. A perceção das pessoas em relação ao custo das coisas está intrinsecamente ligada à economia do seu país e, por isso, acreditam na maioria das vezes que estudar num país estrangeiro é bem mais caro. Não sendo de todo mentira, mas não sendo completamente verdade, a resposta correta é que: depende do país para o qual se vai estudar. Por exemplo, alguns países do norte da Europa (Finlândia, Suécia e Dinamarca), os estudos são totalmente gratuitos. Noutros países, onde os preços das propinas se aplicam, é possível, por exemplo, receber apoio ou subsídios governamentais que ajudam a pagar as propinas ou custo de vida ou que ajudam a financiar a tua educação. Um bom exemplo é que, feitas as contas, às vezes fica mais caro um aluno ir estudar para a capital vindo por exemplo do Porto, do que ir do Porto para a Dinamarca.


Mito 5: “Não estou preparado(a)”

Para qualquer jovem, estudar no estrangeiro é uma decisão muito importante, pois a distância da família ou dos amigos é determinante no processo. Porém, “apesar do friozinho na barriga” tudo depende do quanto desejas viver a tua experiência no estrangeiro. Caso abraces esta aventura, verás que, assim que comecem as aulas, o teu foco estará na vida académica e as saudades serão mais fáceis de gerir. Farás novos amigos, que estarão na mesma situação que tu e que te ajudarão a ultrapassar os momentos mais saudosos.


Mito 6: “Posso ter uma experiência menos boa por viajar sozinho(a)”

Imergir numa cultura completamente nova é um dos elementos mais emocionantes de estudar no estrangeiro, pois irá ajudar-te na compreensão das tradições e costumes de outras culturas. Contudo, em boa verdade, pouco tempo passarás sozinho. As pessoas que conhecerás durante esta experiência procuram o mesmo que tu: boa formação e muita diversão nos intervalos. De modo que, vais dar por ti a explorar, quer essa cidade, quer o país, quer outros países, sempre acompanhado de outros aventureiros que partilharão o dia-a-dia contigo. A dada altura, nem as viagens para ver a família serão sozinho(a), porque vais levar namorado(a) e amigos(as) para conhecer as “tuas pessoas” e o teu país.


Mito 7: “Bolsas de estudo para estudantes de fora são difíceis de obter”
Só existe um de dois factores a ter em consideração quando falamos de bolsas de estudo: mérito ou talento. As bolsas de estudo para estudantes internacionais são atribuídas consoante o mérito ou outro tipo de critério que a instituição considere relevante atribuir como por exemplo bolsas a atletas. Países como os EUA, o Reino Unido, a Austrália, o Japão e alguns países europeus reconhecem feitos extraordinários de estudantes internacionais oferecendo incentivos monetários e bolsas de estudo de forma a promoverem a educação internacional no país. É sempre uma questão de analisar quais os requisitos para obtenção das bolsas nos diferentes países e instituições.


Mito 8: “Os estudantes de outros países são tratados de forma diferente”
As instituições que recebem estudantes de outros países promovem e incentivam a comunicação e a interação dos seus estudantes para que os mesmos possam trocar ideias com outros jovens e conhecer novas pessoas com quem podem partilhar a sua cultura e costumes. Em programas de aprendizagem de línguas ou summer camps, esta questão nem se coloca, pois são normalmente todos estrangeiros. A maioria das universidades estrangeiras, por sua vez,  tem uma elevada comunidade estudantil internacional, o que coloca ênfase no crescimento humano num ambiente multicultural, na inclusão social e na tolerância. Existem associações com mentores/padrinhos para ajudar na integração dos alunos. E há sempre um cuidado acrescido da parte das instituições no acolhimento dos alunos internacionais. Mas tu, também terás de fazer a tua parte e comunicar, participar na vida académica, não ter receio de conhecer pessoas e criar laços com os locais, em vez de andares sempre só com outros alunos internacionais.

Mito 9: “Vou sentir-me sozinho porque não conheço ninguém”

É a mais pura verdade que não vais conhecer ninguém, mas quando foste para a escola primária, preparatória e secundária, em muitos casos também não conhecias. Quando iniciaste um desporto ou um hobbie, possivelmente também não conhecias. Esta é a melhor oportunidade para melhorares as tuas habilidades sociais, expandires a tua rede social e conhecer pessoas novas com experiências de vida completamente diferentes das tuas. Acredita que, até podes ser surpreendido e as pessoas virão ter contigo, porque te querem conhecer. Há sempre pessoas mais introvertidas e outras mais extrovertidas… e o equilíbrio acontece naturalmente.


Mito 10: “Não há mais nada a fazer no estrangeiro a não ser estudar”
A vida académica é determinante e convém não perder esse foco, mas existem uma série de  atividades extracurriculares, clubes e cursos, por exemplo, de arte criativa, fotografia, música, entre outros, que poderás explorar. Além disso, é quase inevitável aproveitar alguns dos fins de semana para ir explorar a cidade, o país ou mesmo ir além fronteiras descobrir outras culturas.


Mito 11: “Já não é seguro estudar noutro país”

A questão da segurança é sempre muito relevante, mas é necessário termos sempre a noção da nossa envolvência especialmente em sítios que desconhecemos e da nossa responsabilidade e bom senso. As instituições académicas são responsáveis ​​pela segurança dos seus funcionários e dos seus estudantes, especialmente dentro das suas instalações/campus. São aplicadas regras rigorosas de forma a manter a segurança dentro e fora do campus. Todavia, também é preciso ter alguma sensatez de não te colocares em situações de risco, seja com comportamentos ou por visitares áreas menos aconselhadas.


Mito 12: “Não vou conseguir acabar o curso a tempo”
Embora este seja um receio bastante comum quando se fala em estudar no estrangeiro, devido a todas atividades extracurriculares em que acabarás por te envolver, é possível acabar o curso dentro do tempo devido, desde que todos os aspetos da experiência sejam feitos com moderação e sem perder o foco principal. Em todo o caso, os cursos são, na sua grande maioria, lecionados com base em critérios definidos internacionalmente e como tal, os créditos são normalmente atualizados consoante as regras de cada país.


Mito 13: “O meu curso não existe nas universidades estrangeiras”
Assim pode parecer, porque apesar de várias licenciaturas e mestrados portugueses também existirem noutros países, podem ter nomes diferentes e serem lecionados de forma distinta. Alguns cursos focam-se numa única área de estudo e por isso são mais específicos, enquanto outros são mais abrangentes. Porém, esse nível de especialização também pode ser muito benéfico, em particular quando avaliamos a questão ao contrário, no sentido de ganharem uma vantagem competitiva face a outros futuros candidatos, por não haver esse curso em Portugal.

Mito 14: ”Não quero perder nada enquanto estiver fora do meu país”
Passamos a nossa vida a fazer escolhas e frequentemente, teremos de abdicar temporariamente de coisas muito importantes para nós em prol de um bem maior e dos ganhos no médio/longo prazo. Hoje em dia com a Internet e as várias opções de mobilidade em termos de transporte, conseguirás estar perto e presente mesmo estando longe e ausente. E a boa notícia é que só terás de o fazer durante um período de tempo específico, após o qual o teu mundo nunca mais será o mesmo.